
... Num futuro não muito longínquo, estas serão as ruínas do Futebol Português...
(Troy Paiva)
"Sou uma pessoa feliz porque todos os dias me banho em Alegria"
... De forma pouco normal dei comigo a desejar a chegada do frio. Nem eu queria acreditar ao sentir saudades das noites de chuva em que nos enroscamos no sofá a bebericar qualquer coisa e a assistir a um bom filme.
... Uma vergonha aquilo que se passou, na repetição da sessão de ontem dos europeus de atletismo que a Eurosport está a fazer. No preciso momento em que ia iniciar-se a entrega de medalhas da prova de 100 metros, a emissão foi interrompida para publicidade e quando foi retomada já tinha sido a cerimónia. Pergunto se fosse um espanhol qualquer ou um inglês a receber o ouro e não um PORTUGUÊS teriam os senhores da eurosport interrompido a emissão? VERGONHA...

... Barcímio Sicupira é um bom amigo. Antigo jogador de futebol, com 19 anos era titular do Botafogo onde jogava com Jairzinho, Zagalo, Manga, Gerson e Garrincha entre outros. Nunca chegou à selecção porque, como ele próprio diz: "Naqueles anos o Brasil fazia três selecções e elas lutavam entre si pelos três primeiros lugares do Mundial, agora qualquer um joga no Timaço". Vive em Curitiba, uma das mais tranquilas cidades que conheço no Brasil, e é comentador de rádio e Tv, mas comentador mesmo e não como os de cá. Esteve na Alemanha a acompanhar o Mundial e depois viajou pela Europa. Veio até Lisboa, já não nos viamos desde 97 ou 98. Conhecemo-nos em 1993 no Equador durante a Copa América e foi fácil fazermos amizade, ele, o Sidney Campos, o Professor Kramer e o saudoso Lombardi Junior formavam a equipa do Rádio Clube Paranaense. Passaram os anos ficou a amizade e a admiração. Uma figura incontornável, com muitas histórias para contar...





... Morreu Jorge de Brito, o Senhor Jorge de Brito. Desde que me conheço não tenho pejo em afirmar ter sido ele o melhor Presidente do Benfica.
Conheci-o bem, de resto no dia em que deixou de ser Presidente do Benfica estava eu, juntamente com outros jornalistas na sala de imprensa do velho Estádio da Luz, quando um funcionário me chamou para ir ao telefone, do outro lado da linha estava ele.
- Zé Carlos, queres uma entrevista comigo?
- É claro que sim presidente, estou na sala de imprensa à espera.
- Não vou aí, queres subir aaqui ao gabinete?
Chamei o camera, se bem me recordo era o Gonçalo Prego que estava comigo na Luz, e subimos ao seu gabinete, como seria de esperar Jorge de Brito foi igual a si mesmo.
-Perguntas tudo aquilo que quiseres, respondo a tudo.
Assim foi, 40 minutos de deslumbre, sem favores nem pedidos, recordo que já nessa altura, 1993, ele me disse.
- Se fosse mais novo negociava com a C.M.Lisboa, cedia-lhes estes terrenos e a Camara dava-nos outros em Monsanto e aí construía um Estádio novo, 50 mil lugares todos com cadeirinhas, aquecido, coberto para nunca chover lá dentro. Fazia um centro de estágio que honrasse o nome do clube. Já não tenho idade nem saúde, quem vier que pense e trabalhe para o Benfica da mesma forma que eu o fiz.
Infelizmente é aquilo que se vê...
Mais um Grande Homem que parte...


... Raramente aqui faço elogios a membros da imensa família política, não pelo facto de ser irredutível, mas sim por entender que, de uma forma geral, existe pouca qualidade nos politicos. No entanto abro aqui uma excepção, por ser da mais elementar justiça, ao referir-me elogiosamente ao Ministro dos negócios estrangeiros, Dr. Luis Amado. Antigo detentor da pasta da defesa, foi ocupar, em boa hora, o lugar do antigo presidente do Cds/Pp, no Palácio das Necessidades. Contudo, esta referência ao nosso Ministro não se deve tanto à sua competência politica mas sim à sua faceta privada. Somos vizinhos e gosto de o ver passear tranquilamente durante a noite, sem segurança, com ar de quem está de consciência perfeitamente tranquila. E isso é muito bom. Ver um Ministro andar tranquilamente na rua, sem ostentação, simpático e afável em mangas de camisa e a tomar café no café do bairro, deixa-nos tranquilos e certos que, pelo menos naquele ministério, estamos em boa mãos...

... Há coisas que nunca mudam e a presença de carteiristas no eléctrico da carreira 28 é daquelas que permanecem imutáveis. Lembro-me quando era miúdo e vinha todos os dias da escola para casa, da presença dos amigos do alheio que, nessa época, com algum cuidado, procuravam meter a mão nos bolsos alheios. Hoje em dia, quiçá fruto das "amplas liberdades", os cuidados são bem menores e é vê-los, em grupos de 2, a mirar a "presa" e depois em alcateia atacar. Quase sempre andam duas duplas no mesmo eléctrico, na paragem de S. Vicente entram 2 e na das Portas-do-Sol os outros 2. Fingem que não se conhecem, mas até à Igreja da Sé funcionam em equipa. Se até lá não conseguem nada, saem 2 a 2 nas paragens seguintes. Contudo estes grupos são fáceis de identificar: pelo menos um dos membros da dupla faz-se acompanhar de uma mala a tiracolo e sobre esta um casaco. É daquelas coisas que também não mudam, faça um frio de rachar ou calor infernal, um de cada dupla transporta o casaquito que deposita em cima da mala do turista desprevenido e, como diria Ney Matogrosso, " é por baixo dos panos que a gente faz... ". Penso dentro em breve poder aqui mostrar fotos de alguns desses grupos, para de alguma forma deixar avisados os mais distraídos.
P.S. (Salvo seja) - Se eu sei tudo isto e inclusivé as horas em que estes grupos actuam, será que a polícia também não sabe? É que os cartazes que a carris coloca nos eléctricos a alertar para a presença dos "Pick Pockets" não chega...


... Se recuarmos no tempo, até ao período que antecedeu a fundação do estado de Israel, deparamos com inúmeras semelhanças com o que se passa hoje em dia na Palestina. Arafat foi durante muitos anos o lider incontestado da Organização de Libertação da Palestina, OLP, e utilizou meios francamente reprováveis para provar a sua razão e fundamentar o anseio de uma nação Palestina. O terrorismo, com o recurso a desvio de aviões para Cuba e os atentados contra interesses judaicos foram os argumentos encontrados para defender a causa. Anos antes já os judeus haviam utilizado os mesmos argumentos, nomeadamente os atentados, então contra os ingleses que administravam os territórios onde hoje se instala o estado de Israel. A destruição da ala sul do hotel King David, em Jerusalem, pelo Irgun, a 22 de Julho de 1946, matou 91 pessoas, a maioria funcionários do governo britânico e membros da autoridade militar na Palestina. Curiosamente em 1946 estes territórios chamavam-se Palestina e não Israel, curiosamente alguns dos membros do Irgun viriam a tornar-se figuras destaque dos governos de Israel.
Qual a diferença entre os terroristas judeus e os árabes? ...



... Confesso que me faz confusão a Promo da Betandwin onde se escuta a voz do Jorge. Infelizmente enquanto foi vivo não lhe fizeram as homenagens que merecia nem tão pouco lhe reconheceram o valor que possuia. Foi sempre acusado de "excessivo" e demasiado efusivo. Falei com ele muitas vezes sobre o assunto e ele bem que me avisou: "Miúdo não penses que não te irão fazer a ti o mesmo que a mim. Pela tua frente vão dar-te palmadinhas nas costas, mas por trás vão te lixar tal como me fazem." Como ele tinha razão, como ele sabia quem eram os seus verdadeiros amigos e quais os outros, curiosamente foram apenas os outros os que publicamente vieram com lágrimas de crocodilo "chorar" a sua morte.
Tu sabes meu caro Jorge, tu sabes quem eram os teus Verdadeiros Amigos...



... Estes cartoons provocaram polémica, cada um em seu tempo, cada um em sua sociedade mas ambos levantaram ondas de choque. Para os católicos foi uma blasfémia aquilo que se fez a João Paulo II, para os muçulmanos Maomé não pode ser "retratado", logo houve igualmente blasfémia. Se alguém um dia se lembrar de "cartoonizar" um rabi a saltar à fogueira com Hitler, lá vêm os judeus a bradar aos 7 ventos... Afinal, parece que ainda estamos na Idade Média e em pleno Sec. XXI os fundamentalismos religiosos ainda fazem valer a sua lei... Não haverá, em bom rigor, nada que seja realmente importante e que mereça uma tomada de posição, inequívoca, colectiva em vez de assistirmos passivamente a todas estas demonstrações de "reduzida inteligência"?
... Cá estamos de novo no Natal uma quadra onde, infelizmente, a hipocrisia assume contornos quase obscenos. É a época do ano que eu mais gosto e por isso mesmo não vou fugir à regra. Desejo um Natal Feliz a todos os meus amigos e ás pessoas de quem gosto,e que fazem o favor de retribuir estes sentimentos, quanto aos outros quero mesmo é que passem o Natal da forma que realmente merecem...

